Dia 29 de janeiro é o Dia Nacional da Visibilidade Trans e desta vez, reunimos informações atuais e histórias sobre o acesso que a comunidade tem à saúde. São inúmeros avanços em poucos anos depois de tanto tempo em falta, mas ainda muito a ser aprimorado para que todos tenham acesso a saúde de qualidade.

Para dar exemplos reais, além de dados, entrevistamos também algumas pessoas trans que compartilharam um pouco das experiências que vivem. Vem saber mais sobre o assunto neste texto do blog da Exclusiva!


Dia Nacional da Visibilidade Trans


Data importante para enfatizar a luta pelo fim da violência contra a comunidade trans e a favor da dignidade, respeito e igualdade. Mesmo com conquistas, o Brasil ainda é o país que mais mata pessoas trans, ou seja, há muito o que lutar pelo direito à vida e à segurança, assim como direito à saúde, à educação e ao trabalho.

Mas não é só nesse dia que toda a sociedade precisa lembrar da existência dessas pessoas, a luta precisa ser constante para que exista um crescimento. Um dos âmbitos nem sempre são abordados é o da saúde, vem entender mais sobre o histórico dessa área para a comunidade trans!


Avanços da saúde para a comunidade trans

A maioria dos direitos básicos da comunidade na saúde é recente, dos últimos 20 anos, o que mostra o atraso e dificuldade no acesso, principalmente das pessoas mais velhas e gerações anteriores. Segue a lista dos principais marcos:

- 2004: O Ministério da Saúde promoveu a campanha Travesti e Respeito, com o objetivo de ressaltar a importância de respeitar a diversidade;

- 2006: travestis e transexuais puderam começar a usar o nome social no SUS;

- 2008: cirurgias de resignação sexual, acompanhamento multidisciplinar e terapias hormonais foram instituídas para mulheres trans;

- 2011: criação da Política Nacional de Saúde Integral LGBT pelo Ministério da Saúde, com objetivo de promover a saúde das pessoas da comunidade, eliminando o preconceito e discriminação institucional, assim como redução das desigualdades. A fim de consolidar um SUS integral, universal e equitativo;

- 2013: homens trans e travestis foram incluídos na política pública de redesignação sexual, acompanhamento multidisciplinar e terapias hormonais;

- 2019: a transexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS);

- 2023: 21 estabelecimentos de saúde estão habilitados para prestar a Atenção Especializada no Processo Transexualizador.


Não é apenas sobre transição

É claro que o tratamento para transição exige alto investimento financeiro e de profissionais especializados, ou seja, é essencial que seja disponibilizado com qualidade no SUS para as pessoas da comunidade que forem realizá-lo.

Mas assim como as outras pessoas, a comunidade trans também precisa de atendimento de saúde em todas as outras áreas, sendo que a falta de preparo dos profissionais pode prejudicar possíveis tratamentos.

Duas pessoas da comunidade trans participaram de uma entrevista para a Exclusiva, o Lucca Santana, de 28 anos, trans masculino e a Hiar Eliza, de 26 anos, travesti. Ambos relataram que usam o SUS, passam por atendimento de rotina e nunca tiveram nenhum tipo de dificuldade durante eles.

Ter bom atendimento de saúde deveria ser normal, mas infelizmente é um avanço e nem sempre foi assim. De acordo com a pesquisa da Bianca Lopes Rosa, “Cuidados em saúde no processo transexualizador”, realizada em 2023, a população trans enfrenta barreiras relacionadas à discriminação e preconceito até para conseguir acesso ao serviço especializado.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, dentre as maiores dificuldades encontradas estão o preconceito, o despreparo dos profissionais da saúde no relacionamento com pessoas trans, falta de informação, entre outros.

Outro ponto observado na pesquisa foi a dificuldade ao acesso a serviços especializados, negligência e exclusão que pessoas negras e socioeconomicamente mais vulneráveis enfrentam. Ou seja, a transfobia com nuances que se relacionam com gênero, raça e classe.


Saúde mental


A vulnerabilidade, a depressão, a ansiedade e outros problemas causados pela transfobia, falta de apoio familiar, estigma e diversos outros problemas torna ainda mais importante a terapia e o cuidado com a saúde mental das pessoas trans. Além de claro, o processo da afirmação do gênero, a redução da disforia e tudo que possa promover o bem-estar da comunidade.

Por isso, é essencial que exista a disponibilidade e fácil acesso a tratamentos na área da psicologia e psiquiatria, algo que também está nos direitos garantidos pelo SUS.

Mesmo quando existe o acesso a terapia pelo SUS, pode haver dificuldade em encontrar o profissional ideal para o atendimento, como foi o caso da Hiar “Nunca dei certo com psicólogos, sempre foi desconfortável, porém no final de 2024 fui indicada a uma psicanalista incrível, a qual me consulto até hoje. Hoje consigo entender a importância de se fazer uma terapia. Consegui tratar alguns traumas e vícios na terapia”.

Já o Lucca disse não fazer terapia no momento “Eu não faço, falam no Ser Trans que meu problema é grande demais para passar no psicólogo deles”. O que infelizmente mostra que ainda há muito o que melhorar também na parte de saúde mental para a comunidade.

Você sabia de tudo isso sobre o acesso a saúde pela comunidade trans? Que cada vez haja menos desafios, mais saúde e qualidade de vida para todos da comunidade.