Nem só de obras contemporâneas se vive, assistir a uma boa obra erótica clássica pode ser uma opção de entretenimento e até mesmo de reflexão sobre tudo que um filme antigo pode proporcionar.
A sugestão da vez é o filme Dama da Lotação, de 1978, dirigido por Neville d’Almeida. É uma obra baseada em um conto escrito por Nelson Rodrigues, que aborda o relato trágico de um casamento com camadas de drama e comédia.
A história gira em torno de Carlos e Solange, um casal que se ama desde a juventude e se casa. Porém durante toda a relação, ainda não tinha acontecido nenhuma relação sexual, o que culmina em um estupro em plena noite de núpcias (na minha opinião a cena mais desconfortável de todo o filme).
Solange entra em crise consigo mesma e com o relacionamento, já que afirma amá-lo e não consegue. de forma nenhuma, sentir desejo pelo marido. Ele afirma que ela é fria, e ela decide transar com outros homens para entender se o mesmo aconteceria com os outros homens.
O resultado é que ela consegue sentir prazer com outros homens, e assim, ela cria a rotina diária de seduzir homens estranhos (que não conhece) em ônibus públicos e também transa com eles depois. Além de transar com o pai e o melhor amigo do marido. O marido acaba descobrindo as traições e a confronta, enquanto ela afirma que não sente remorso por tudo que fez.
A violência sexual dentro do casamento
O filme já começa com uma cena extremamente desconfortável, que nos dias de hoje, com a violência contra a mulher em pauta (infelizmente ainda recorrente), escancara como isso ocorre dentro dos casamentos de forma “normal”. Funciona como um perigo silencioso que é levado como se nada tivesse acontecido depois.
O desrespeito pelas vontades da mulher, a violência ao negar sua autonomia dela e como ele a considera como posse, é um reflexo de como os casamentos eram tratados com frequência.
Invertendo os padrões homem X mulher
O mais comum de se ver até o presente é o homem que trai a esposa, geralmente visto de forma menos repugnante do que quando acontece com a mulher. Mas o filme mostra uma história totalmente contrária, em que a mulher é quem trai.
Há diversos destinos para histórias assim homens sendo perdoados, brigas, mas raramente há a paralisação e absoluta indignação, como acontece com o marido neste caso.
Tabu do prazer feminino
Isso ainda existe hoje, mas era ainda mais forte em 1978, o tabu acerca do prazer feminino, o prazer masculino sempre esteve no centro durante o patriarcado, com as relações sendo estruturadas para favorecer o prazer deles e para gerar filhos.
Essa obra inverte totalmente tudo isso, colocando a mulher em busca do próprio prazer e o satisfazendo, sem ao menos ter a culpa que geralmente é colocada nas pessoas que traem (ou apenas vão em busca do próprio prazer) na sociedade.
Se você ainda não assistiu, vale a pena assistir (o filme está disponível na Netflix), depois deixe nos comentários o que achou! Aproveite também para visitar a loja online da Exclusiva e conhecer produtos que podem transformar o seu prazer.












