Alerta de gatilho: Este texto contém menções a autolesão, um dos temas do filme.

 

Um filme que já tem mais de duas décadas, Secretária foi lançado em 2002, um filme dirigido pelo Steven Shainberg, adaptação de uma história escrita pela Mary Gaitskill. Tudo começa quando a Lee Holoway, uma mulher de cerca de 20 anos sai da clínica psiquiátrica e começa a se adaptar à vida na sua casa novamente. Apesar de ter pouquíssimas cenas de sexo explícito, é um filme com forte temática BDSM.

Em meio aos conflitos familiares e ao sofrimento emocional, a protagonista continua enfrentando dificuldades relacionadas à autolesão.

Até que ela pensa em fazer algo para mudar de vida e superar o problema de saúde mental. Ela consegue um emprego como secretária de um advogado exigente, duro, ríspido e mal-humorado.

Um trabalho que para qualquer pessoa comum seria desgostoso por ser humilhante e depreciativo começa a ser estimulante para ela, ainda mais quando ele começa a punir com palmadas e outros castigos. Momento em que (mesmo com ressalvas da falta de consentimento em diálogo) eles começam a ter uma relação sadomasoquista.

Ela se vê cada vez mais envolvida com as práticas e interessada em ter também o amor dele, mas passa por diversas dificuldades para que ele se permita viver a relação. Enquanto no outro namoro dela com outro homem, ela se sente totalmente sem tesão, desejando inclusive que ele agisse como o chefe.

 

Um romance fora do convencional

Secretária continua divertido, sexy e interessante! - Blog de Hollywood

Se você está a fim de um romance diferente, essa pode ser uma ótima opção, ainda mais se flerta com a temática BDSM. Apesar da demora para concretização da relação deles, com forte resistência do Sr. Grey, há uma longa dinâmica entre os dois de submissa versus dominador, mas que ultrapassa essa troca quando o sentimento toma conta.

 

Pontos de atenção

Mesmo sendo uma obra interessante sob o universo BDSM, alguns pontos negativos precisam ser levados em consideração até para que não haja uma visão errada do BDSM.

De início já é tratado um assunto muito delicado em que a protagonista realiza a prática de automutilação e a “cura” aparece pela submissão erótica ao chefe. Algo delicado e perigoso quando o assunto é saúde mental.

Em relação à prática BDSM, consentimento é a base, é preciso antes ter um alinhamento claro com consentimento das práticas, o que não ocorre no filme. Ainda mais por se tratar de um chefe com sua funcionária, algo que, da forma como é retratado, poderia ser considerado assédio e abuso. Ou seja, não pode ser uma inspiração fiel para a realidade.

 

Quebra de tabus para a época

A Secretária”: o filme sobre sadomasoquismo que chegou ao top das  tendências na Netflix — NiT

Mesmo com as considerações atualmente problemáticas, o filme foi pioneiro em tratar o sadismo e masoquismo de forma aberta e psicológica, muito antes de outras obras mais conhecidas atualmente.

 

Semelhanças com 50 Tons de Cinza

Se você já viu 50 Tons de Cinza, pode ter lembrado, nem que ligeiramente, do Sr. Gray, dominador, assim como em a Secretária. Além dos personagens masculinos de ambas as obras compartilharem o mesmo sobrenome, eles também se conhecem em uma entrevista, a personagem feminina também é inocente e com baixa autoestima, o homem também fala o que ela deve ou não comer.

 

E você, já assistiu essa obra? Tenha as considerações da realidade em mente e aproveite o conteúdo! Depois deixe nos comentários o que achou. Ela está disponível atualmente na plataforma Prime Video.