Todos os dias, não apenas do Dia Internacional da Mulher, são propícios a refletirmos e lutarmos cada vez mais pelos direitos da mulher. Desta vez trouxemos o recorte da sexualidade para você entender como o patriarcado e toda a culpa envolvida no prazer prejudicou essa área da vida das mulheres.
Isso com um breve histórico das crueldades que sempre distanciaram as mulheres do prazer, avanços até hoje e pelo que ainda é preciso lutar. Continue a ler este texto do blog da Exclusiva para entender tudo sobre o assunto!
Sexualidade NÃO era prazer para pessoas com vulva
Antes mesmo de compartilhar os fatos históricos, o básico é compreender que infelizmente, a sexualidade não era uma forma de prazer para mulheres e demais pessoas com vulva. Era sinônimo de posse e de reprodução, como se fosse apenas um receptáculo sem direito se sentir prazer.
Por esse fato, já é revolucionário que as mulheres hoje em dia gozem e se empoderem da sua sexualidade e prazer. Algo que deveria sempre ter sido um direito, foi alvo de crueldade, exploração e violência.
Breves fatos da crueldade contra a sexualidade da mulher
- Nas antigas sociedades com predominância de mulheres, era comum que as mulheres não fossem de um só homem. Foram as religiões masculinas, associadas ao patriarcado, que trouxeram a moral que tirou o costume das mulheres partilharem os homens;
- Havia (e ainda há de certa forma) a crença de que sexo é igual a pecado e culpa, e, sexo, pecado e culpa = a mulher;
- No século XII na Suíça, a mulher que abortasse sofria a punição de ser enterrada viva;
- No Egito Antigo, o clitóris e lábios vaginais eram extirpados para evitar a infidelidade feminina, e se ainda assim traíssem, arrancavam o nariz delas;
- O ritual de mutilação do clítoris (“clitoridectomia”) e da parte externa dos órgãos genitais das pessoas com vulva é uma tradição de países da África, Sudeste Asiático e Oriente Médio;
- No Brasil e outras localidades, no século XIX, a mulher não tinha poder pelo próprio corpo e não podia recusar o sexo com o marido, os estupros domésticos eram ainda mais comuns;
- No Brasil, durante o período colonial, os portugueses diziam que mulheres negras e indígenas não tinham honra, o que legitimava a violência;
- No século XIX, os cintos de castidade eram usados pelas mulheres para evitarem o estupro em ambiente de trabalho;
- Até a metade do século XX, os métodos anticoncepcionais eram considerados uma “desgraça”, a igreja pressionava o governo para proibir a entrada de “propaganda anticoncepcionista” no Brasil;
- Era comum o sexo com prazer e paixão acontecer entre homens e as prostitutas, e não dentro do casamento. A prostituição foi, por muito tempo vista como um “mal necessário”, de satisfazer o prazer masculino, assim acalmavam os insatisfeitos com casamento e “protegiam as mulheres de família”;
- Na maioria dos países latino-americanos, aceita-se que o marido traído mate a adúltera ou seu amante, com a absolvição do criminoso, às vezes tratando-o com respeito e admiração;
- Complementando a informação anterior, no Brasil, entre 1605 e 1830, foi permitido que o homem tivesse sua “honra lesada” quando agia com violência contra a mulher que cometesse a traição. Apenas no Código Penal de 1940 a absolvição de acusados que agitam com emoção/paixão deixou de existir, mas continuou até pouco tempo para defesa dos acusados, proibida apenas em 2023. Um caso que ganhou enorme visibilidade e até podcast e filme recente, foi da história da Ângela Diniz, assassinada e condenada, pelo namorado que alegou a legítima defesa da honra;
- Na época em que as doenças venéreas surgiram até por volta do fim do século XIX, especificamente em relação a sífilis, havia a superstição de que o homem com a infecção se curaria ao transar com uma virgem. No Brasil, esse “defloramento de virgens” acontecia também com garotas escravas.
Avanços até hoje
A lista do tópico anterior poderia ser ainda mais extensa, infelizmente, são inúmeras as violências que existiam e ainda perduram na sociedade. Inclusive as que foram enfim criminalizadas, muitas vezes ainda são moralmente aceitas por uma parte da sociedade como a própria tese de defesa da honra.
Atualmente é mais fácil encontrar conteúdos de qualidade sobre o prazer feminino na internet, de profissionais que trabalham a favor do autoconhecimento feminino depois de tanto tempo perdido.
Ou seja, houve avanços no sentido de explorar o próprio corpo sem culpa, descentralização do prazer apenas masculino, assumir desejos, falar sobre sexo, temas que não eram colocados em pauta antigamente, e quando eram, sempre carregavam enorme culpa.
A própria existência de vibradores e produtos para o prazer de mulheres e pessoas com vulva é um avanço, quando comparado ao passado em que os poucos produtos disponíveis eram voltados ao pênis.
Mas ainda há muito pelo que lutar
A luta não acabou, ainda há muitos desafios quando o assunto é sexualidade feminina, confira alguns deles:
- Pressão estética: afetando diversas áreas da vida, a busca pelo corpo perfeito e juventude pode afetar que a mulher viva a sexualidade de forma livre;
- Falsa disponibilidade de parceiros (as) na internet: apesar dos aplicativos de relacionamento e diversos contatinhos, há exaustão emocional, e muitas pessoas que acabam se encontrando sem terem desejo de verdade, só para ocupar o tempo.
- Homens têm até 30% mais orgasmos que as mulheres, de acordo com um estudo da “Journal of Sexual Medicine”: o principal motivo relatado entre as mulheres é a prioridade ao prazer masculino, além do que se recusam a usar camisinha, dentre outros.
- Violência contra a mulher - estupro: Brasil registra 9 vítimas de estupro por hora em 2024, de acordo com o Ministério da Justiça. A violência contra a mulher ainda é um dos principais problemas graves que afetam não só a sexualidade da mulher, como a vida delas como um todo.
“Profetas e demônios, santos e hereges, sábios e ignorantes, doutores e criminosos, reis e súditos, heteras e putas, enfim, a humanidade, por convicções e métodos opostos, trilharam caminhos paralelos, sem jamais se encontrarem. Mas produziram uma moralidade sexual que se consolidou em mais de três mil anos (ou mais). Para ambos (e todos nós), por séculos e ainda hoje, a sexualidade não foi nem é natural: mitos, crenças, culturas, política e misticismo interferiram no processo, que evolui, retrai, e se modifica bruscamente, quando a aparente liberalidade dos costumes vulgariza e transforma a sensualidade em mercadoria e fetiche, novas formas de antinaturalidade, estabelecendo os ‘papéis’ que os homens e as mulheres devem representar.”
– Trecho final do livro “A Bastarda de Deus – A Bíblia e a cultura de violência contra a mulher”
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